quarta-feira, 23 de março de 2016

O poderio dos beneficiários da desigualdade social

    
  O Brasil ainda é, infelizmente, um país em que a distribuição de drogas é menos perigosa do que a de terras ou a de renda. Lula ousou adotar uma política de redução da calamitosa desigualdade social que continua sendo o maior problema do país, e está pagando um alto preço por isto. Os raros antecessores que o tentaram, como os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, também tiveram que enfrentar as poderosas garras da oligarquia nacional e do imperialismo financeiro.
       A condução coercitiva de Lula para depor pela Lava-Jato foi, nesta história, como Veríssimo definiu muito bem na sua coluna d"O Globo", "mais do que um circo desnecessário, uma ilegalidade". Quanto ao pedido de prisão dos três promotores do MP de São Paulo, aí já se chegou às raias da absoluta insensatez, a ponto de merecer críticas até de líderes da oposição tucana.

                                        Arthur Poerner

quarta-feira, 2 de março de 2016

O ENCONTRO DE LULA COM OS INTELECTUAIS



      Foi rico e estimulante o nosso encontro da noite de sexta-feira com o Lula, que se mostrou em grande forma, sem qualquer sinal de abatimento ante a virulência dos ataques de que vem sendo alvo. Ao contrário, chegou a arrancar gargalhadas da plateia, ao se referir, por exemplo, aos imóveis cuja propriedade tentam, a todo custo. lhe atribuir. E discorreu, longamente, sobre a necessidade de utilização dos recursos da moderna comunicação para se contrapor à falta de um mínimo de isenção na chamada grande mídia, ao "jornalismo da lama" de que o recém-falecido escritor e filósofo italiano Umberto Eco trata no seu último romance, "Número zero". 
      Presentes à reunião, coordenada pelo escritor, ex-ministro e ex-presidente do PSB Roberto Amaral, importantes personalidades do nosso mundo político-cultural, como Sílvio Tendler, Sérgio Ricardo. Fernando Morais, Beatriz Bissio, Osmar Prado, Modesto da Silveira, Saturnino Braga, Lindbergh Farias e tantos outros. Alguns fizeram uso da palavra, entre eles Aderbal Freire Júnior, Isabel Lustosa, Eny Moreira, Luiz Carlos Barreto e, muito aplaudido, Chico Santa Cruz.
      Também falei, sobre a importância de o governo e o PT não se deixarem acuar pelos ataques da direita, da vetusta oligarquia nacional. Que se tenha sempre em mente a clamorosa desigualdade na distribuição nacional e mundial de renda que as estatísticas e o candidato presidencial norte-americano Bernie  Sanders não se cansam de denunciar, frutos do fraudulento e monopolista capital financeiro especulativo. E que se adote, por exemplo, entre as medidas de saneamento financeiro no Brasil, a taxação das grandes fortunas e heranças.  
      Lula nos ouviu com muita atenção. E pudemos sair de lá, do Centro de Convenções da Sul América, junto à Prefeitura do Rio, com a certeza de que podemos contar com o ex-presidente na defesa das recentes conquistas sociais do nosso povo.



                                                 Arthur Poerner

domingo, 29 de novembro de 2015

A mídia não escolhe os mortos por quem devo chorar


      Continuo chocado com o massacre perpetrado pelo Estado Islâmico em Paris, mas também com o que, há uns sete meses,ceifou a vida de 142 estudantes em Garissa, no Quênia, promovido pelo Al-Shabaab, grupo terrorista ligado a Al-Qaeda. Como não esquecerei jamais os milhares de mortos na inauguração do terrorismo oficial de Estado, em 1945, quando eu tinha cinco anos, com as bombas atômicas norte-americanas em Hiroshima e Nagasaki.
      Se esta extensa convivência com matanças, inclusive ao longo de meio século de trabalho jornalístico, me ensinou algo, é que não devemos permitir jamais que a grande mídia, nacional ou internacional, selecione os mortos pelos quais devemos chorar. Por que nada sabemos, por exemplo, sobre os mortos nos bombardeios franceses e de outras grandes potências na Líbia ? Por que somente os mortos do chamado "mundo ocidental cristão" merecem ser pranteados ?


                                               Arthur Poerner


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Higiene mental

  
 Quando se tem projeto (s), isto é, não se está aqui a passeio, até o tempo para a leitura de jornais começa a escassear. Para não me estressar, decidi suprimir todas aquelas leituras que são repetições diárias e somente nos trazem mais do mesmo. Como as daqueles coleguinhas que, ainda inconformados com os resultados das quatro últimas eleições presidenciais, fizeram do impedimento da Dilma ou da busca de alguma outra forma de burlar o veredito das urnas a razão de suas vidas.
      O resultado da medida sanitária não poderia ter sido melhor, pois sobrou tempo até para conhecer visões originais e sensíveis, de articulistas como Dorrit Harazim e Adriana Carranca, da maior tragédia atual da Humanidade: os milhares de refugiados, sobretudo da Síria e do Afeganistão, que chegam, todos os dias, à Europa Ocidental.

                                           Arthur Poerner